domingo, 19 de novembro de 2017

casulo

O filho pergunta a mãe "o que é uma borboleta?". A mãe desesperada rompe o casulo e foge pra nunca mais voltar.

domingo, 12 de junho de 2016

Bom dia

De longe já se ve toda a incompetencia do sujeito.
Olha como se senta, percbe suas roupas? Falta de escrupulo sò pode ser falta de escrupulo.
Se vira pro lado. Por que tanto se virà pro lado? Por que me sorri? Ja se ve a indole. Nao vou me sentar ao seu lado.
Pra que tanto mexe o bigode naquele copo. Serà que acha que aqueel copo vai ficar mais limpos esfregando aquela bucha nele?
Se eu não me contenho, nem sei o que faço. Um sujeiro radical desses , não sabe nem conversar. E ai depois vem gente querendo defender. Eu sempre fico no meu canto pra não criar problema, mas desse jeito dè.
Ainda bem que já tá pagando, ainda bem que já vai embora.
Vai logo, ninguém te quer aqui, ninguém. Vai logo.


quarta-feira, 4 de março de 2015

conto 7

O pai do Eduardo bateu nele porque ele corria enquanto o bebê dormia.



Eduardo ficou com mais raiva do bebê, pois sentia que ele roubava toda a atenção.



Eduardo desejou que o bebê sumisse.



Um dia os pais do Eduardo tiveram que levar o bebê no hospital. Quando o carro saia, o porta-malas abriu, e o carro do bebê caiu.
Eduardo se assustou e se sentiu culpado com a queda do carrinho, e se arrependeu de desejar tanto mal para seu irmãozinho.



A noite seus pais chegaram com o bebê melhorzinho. Eduardo ficou muito feliz de ver o bebê bem, e passou a ser seu melhor amigo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

conto 6

Foi naquela tarde, quando a Tia Laura chegou em casa.
_Quem fez essa bagunça no meu quarto?
_Foi a ratazana voadoura, Tia Laura.
_Martinha, você sabe que a ratazana voadoura não existe. Quem fez essa bagunça no meu quarto?
_Existe sim Tia Laura. Eu vi. Ela entrou pela janela. Abriu essa buraco no armário, e comeu toda as caixas de chocolate.
_Martinha, a ratazana voadoura não existe. Mas se você não quer dizer quem fez essa bagunça e comeu o chocolate suíço do Loló, tudo bem. Não tem problema nenhum.
Problema nenhum uma pinoia. A janta foi sopa de chuchu sem sobremesa. Mas Martinha nem ligou.

Os adultos diziam.
_Para de comer bala que a ratazana vai vir chupar seus dentes.
_Para de jogar videogame, senão a ratazana vai arrancar seus dedos.
_Para de falar no celular senão a ratazaná vai rasgar sua orelha.
As crianças todas morriam de medo. Martinha não. Martinha queria comer todas os chicletes, ter bolhas nos dedos de jogar videogame, calos na orelha, só pra ver o roedor alado.

As crianças se escondiam de Martinha, que não se importava. Se alguma criança se aproximava para importuná-la. Martinha dizia:

Voa voa ratazana voadoura.
E apareça bem aqui agoura

Voa voa ratazana voadoura.
E apareça bem aqui agoura

Voa voa ratazana voadoura.
E apareça bem ….

Antes que Martinha completasse o terceiro verso, a outra criança já estava longe, e Martinha continuava em paz.
Só que Martinha sabia que não adiantava chamar, a Ratazana nunca mais apareceria.

Foi naquela tarde na casa da tia Laura que Martinha viu a Ratazana. Depois que ela saiu pra comprar mais cocola para alimentar seu lianlazian que já tinha comido meio balde de chocolate belga, e ficara cheio de energia para latir e perseguir Martinha que se defendia com uma vassoura. Naquela tarde, de repente, um guinchado de horror pode ser escutado. O lianlazian fugiu rapidamente, antes que duas lindas asas brancas invadissem o quarto da tia Laura e devorassem todo o chocolate que sobrou, e ainda destruíssem todo o armário famintas por mais doce.

Martinha tentou aprisionar o animal, mas armada somente com a vassoura só conseguiu assustar o bicho que destruiu todo o quarto e fugiu.

Martinha ficou decepcionada e maravilhada com a criatura que voava pela janela. Nem ligou para sopa de chuchu sem sobremesa.

Foi desde então que Martinha ficou decidida a rever a ratazana.

Mas parecia inútil, por mais Martinha comesse chocolate, por mais que chamasse, a bicha não aparecia. A garota entretanto sabia onde procurar. Foi quando soube que ficaria de novo na casa da tia Laura que armou seu plano. Esperou que a tia Laura, saísse para fazer compras, depois abriu os chocolates comprados para todo o mês. Colocou todas na sala.
O cachorro maldito, correu latindo atrás de Martinha, mas quando viu aquela montanha de chocolate resolver se afogar nela.

Martinha começou:

_Voa Voa ratazana....

_Voa Voa ratazana....

_Voa Voa ratazana....

E de repente asas enormes encobriram as luzes do quarto e um só ZAP, arrancaram a cabeça do lianlazian com chocolate e tudo.
O animal começou a comer todo aquelas guloseimas e nem percebeu que Martinha se aproximava com um cesto de lixo. Martinha caminhava em silêncio, mas por acaso do destino, suspirou. O animal escutou e procurou fugir, mas Martinha já havia fechado todas as portas e janelas. A ratazana voou loucamente pela casa, destruindo vasos, quadros, móveis Martinha corria atrás.

A noite quando tia Laura chega, se depara com uma casa toda destruída, chocolate esparramado por todos os lados, e um cachorro sem cabeça.

Tia Laura grita:
_ MARTINHA

Martinha não foi encontrada nem a ratazana, ao invés disso apenas uma janela abrindo espaço para imensidão azul do dia.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

conto 5

Mãe e filho viviam brigando. Brigavam por tudo, pelas roupas surradas, pelas bolas chutadas, pela falta de higiene. Um dia o filho disse que faria uma tatuagem. A mãe proibiu fortemente. Os dois brigaram outra vez. Brigaram tanto, que o menino ficou quieto e foi para seu quarto. Ficou quieto vários dias, tao quieto que um dia a mãe resolveu  ver o menino tomando banho.
Surpresa! Havia um desenho de um cachorro nas costas do filho.
A mae entrou no banheiro brigando, o menino foi respondendo. Os dois brigaram tanto que de repente o menino latiu. A mãe retrucou, ai o menino latiu de novo, e não conseguiu mais falar. A mãe sacudiu o menino, como se o sacude fizesse sair pra fora a capacidade de falar. E não é que saiu uma voz, mas não era a voz do menino, era uma voz que emanava. Uma voz possante. Era o cachorro da tatuagem que falava.
_Minha senhora, não adianta sacudir. Só deixara seu filho tonto.
_Meu deus, você fala!
_Sim falo, agora falo melhor que seu filho, que agora só lati.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

conto 5

Antes só havia o silêncio, um silêncio total e absoluto, foi quando se iniciou a Palavra. Ela fazia um esforço para nascer naquele mar de calma. Fazia muito esforço, muito esforço. Até que, bumba, Nasceu.

Era M, a Palavra.

O silencio não despareceu. A Palavra e o Silencio eram a mesma coisa e ecoavam por ai como irmãos.

M era a fonte de todas as outras palavras, quando alguém queria dizer algo, ao contrário do que se pode imaginar, dizia M. Todas as palavras a serem ditas eram criadas a partir de M, em um tempo onde as coisas sussurravam o próprio nome.

Por que hoje em dia as pessoas não dizem mais M?
Eu não sei direito, mas acredito que as pessoas não dizem mais M  por conta das cadeiras. É verdade: as cadeiras. Talvez assim como as cadeias e as carteiras, as cadeiras impedem que as pessoas conseguiam dizer a única palavra. Foram as cadeiras que permitiram que as pessoas mentissem e dissessem qualquer coisa, antes não dava.

Por isso que eu sugiro que para por fim a mentira que existe que todo mundo sente de agora em diante como índios.


Eu ensino, você paga uma perna, cruza com a outra perna e senta, fica bem molinho e pode conversar com seu amigo do lado. E quando tiver bem relaxadinho, possa soltar um PUM bem sincero.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

conto 4

Neco se esticava na cama chateado. O pai perguntava se ele não sairia de casa. O menino dizia que não. Não tinha mais motivos para sair de casa, desde que teve fim o time do Podrão.
Neco não lembrava como começou o time do Podrão, só lembrava que quando começou ele já estava por lá. Ia sempre no Podrão, um lugar conhecido pelo cheiro ruim que espantava até urubu, mas que não causou arrepio em Neco, porque seu nariz entupido. Neco achava o matagal que envolvia o Podrão um lugar agradável para prática de chute a bola.



Não lembrava se quando chegou o Totói já estava ali, ou se ele chegou depois, mas lembrava que suas primeiras pernadas na bola teve como parceiro o Totói. Neco tinha quase certeza que a Marmota estava lá, e o Piolho também. Na verdade todo mundo tinha chegado meio junto, Perneta, Zaroio, Dodonha, Fufu, Caca, Jojo, Aranha, Volinho e Pirambeira. Era essa toda a equipe, às vezes estavam todos, as vezes não estava ninguém, mas quando estavam juntos a bola rolava alegre. As tardes corriam até a ultima gota de sol, como se fossem o último time do mundo, até a bola ficar redonda demais naquela escuridão, as mutucas atacarem com fome, e já fora hora de voltar pra casa.



Um dia o Alfredo, primo do Neco,  disse que o vizinho dele tinha se inscrito em um campeonato de futebol  que valia um premio. A lanterninha da cozinha da cabeça do Neco acendeu. Ele resolveu convencer todos da equipe que eles deveriam se inscrever no tal campeonato, o que não foi fácil, pois significariam que deveriam estar todos nos mesmo horário, e alguns não acordavam cedo de jeito nenhum. Depois de todos estarem de acordo, tiveram que arranjar dinheiro pra inscrição, o que significou pedidos para os pais, carregamentos de sacolas para vizinhança e até pequenos furtos. Finalmente conseguiram juntar o dinheiro necessário, então tiveram que pedir para um adulto. Foi o próprio pai do Neco que inscreveu a equipe no Campeonato Juvenil de Futebol Amador.



Neco estava tão animado que conseguiu contagiar todos para que estivessem na hora, no dia e no local que a equipe defenderia seu brasão. O dia ensolarado prometia uma partida emocionante. Mas não foi exatamente o que aconteceu. A equipe do Podrão sofreu desde o começo, primeiramente com dois desfalques. O campeonato permita apenas garotos, o que impedia que Perneta e Caca jogassem, já que eram meninas,  apesar do protestos das duas, e de toda a equipe, já que Perneta era a grande craque do Podrão.



Mas os problemas não pararam por ai. Nitidamente prejudicada pela arbitragem, a equipe do Podrão não teve momento de descanso. Logo no inicio, disse o juiz,  que eles não podiam começar jogando com a bola, pois o adversário havia ganho no par o impar. Depois tiveram a bola tomada pelo próprio juiz que disse que eles deveriam respeitar quando ele usasse aquele apito insuportável. Depois disse que eles não podia chutar a bola para muito longe, que era fora, não podiam socar o adversário que era falta, não podiam botar a mão na bola que era falta, não podiam xingar que era falta, e falta, e falta e falta, e gol, e gol, e gol do adversário. Mal escutavam gol já viam a rede balançando de novo, um verdadeiro massacre.



Massacre tão duro, que abalou até o brio de Neco, que irritado com aquela humilhação, acusou Zaroio por haver cuspido no juiz, Zaroio disse que se defendia das broncas injustas que tomava. Neco também acusou Jojo, de não haver tocado na bola. Jojo respondeu que preferia ficar quieto a ficar escutando as apitadas. Totoi ficou com raiva de Neco, por distribuir broncas e fazer com que ele gastasse toda sua mesada naquele campeonato, estúpido. Volinho foi defender Neco. Perneta e Caca ficaram com raiva de todos os meninos que jogaram mesmo sem as duas. No final todo mundo estava com raiva de todo mundo, e foram todos para casa jurando nunca mais pisar no Podrão.



Ninguém ficou mais abalado que Neco, que havia apostado muito naquele campeonato, e agora não tinha nem mais time para jogar. Foram meses que ele passou sem pensar em bola,  ficando cada vez mais triste, até que uma saudadeiznha começou a apertar seu coração, e apesar de tudo, ele volta ao Podrão, mas quando ele volta a aquela arena que havia recebido altas demonstrações da arte com a bola ele a encontra toda cercada com uma placa dizendo, que por ali passaria uma avenida.


Neco ficou arrasado, se sentia culpado pelo fim tão triste da equipe do Podrão, lembrou com saudade. Seus olhos marearam. Assuou o nariz e sentiu falta até do fedo do Podrão, tanta saudade que teve a impressão que até sentia o cheiro do Podrão. Opa mas não era só impressão, ele sentia o cheiro do Podrão. Neco foi seguindo farejando aquele fedo, até chegar a um matagal, no meio de um terreno baldio. Neco reconheceu aquele cheiro horrível de crianças correndo atrás de uma bola. Pode ver ao fim, no meio do mato alto, todo mundo ali. O pessoal quando viu Neco acenou para que ele se aproximasse. O Podrão estava ali, e a melhor equipe do mundo podia continuar jogando.